“Chamo-me Simplício e tenho condições naturais ainda mais tristes do que o meu nome. Nasci sob a influência de uma estrela maligna (…). Sou míope; pior do que isso, duplamente míope física e moralmente. (…)”. Assim começa o romance de Joaquim Manuel de Macedo, mais conhecido por seus romances: A Moreninha (1844) e O Moço Loiro (1845).
Simplício, o protagonista, sofre de uma dupla miopia. Física e Moral. A miopia física não deixa distinguir um girassol de uma violeta a mais de duas polegadas de distância. E a miopia moral, não o deixa ter discernimento de absolutamente nada. Ou seja, ele não tem idéias próprias, não consegue ter ao menos uma opinião sobre qualquer assunto
Ansioso por enxergar melhor, Simplício recorre às artes mágicas de um armênio (que no livro é identificado apenas como “armênio”), mesmo indo contra a todos seus princípios morais e religiosos. Depois que o “armênio” lhe entrega uma luneta mágica, ele passa a distinguir tudo, perfeitamente.
Acontece que essa luneta mágica tem um poder. Depois de fixada por mais de três minutos sobre qualquer objeto ou pessoa, ela mostra a visão do mal. Tudo o que há escondido no coração, os sentimentos mais vis. Antes de Simplício experimentar a visão do mal, a luneta só lhe fez bem, pois através dela ele julgava que sua dupla miopia estava curada.
Porém, uma das maiores lições que podemos aprender com “A Luneta Mágica” é que não existe nada totalmente bom ou mau. Ao mesmo tempo que a luneta devolve a alegria a Simplício, ela o deixa triste. Pois ele a fixou por mais de três minutos nos seus parentes, amigos, lindas donzelas, animais e até mesmo insetos como mosquitos e pulgas. E acabou descobrindo que todos tinham sentimentos pérfidos, e isso o deixou deprimido e com fama de louco, pois a essa altura a luneta mágica criara fama de enxergar tudo que estava oculto nos corações.
Após olhar sua imagem no espelho, Simplício vê que nem ele tinha um bom caráter, e, num acesso de fúria, quebra a luneta que lhe fornecia as visões malignas. Mas após alguns dias ele se arrepende e volta a procurar o “armênio”, que dessa vez lhe dá outra luneta mágica, que após três minutos mostra a visão do bem.
Nessa parte da narrativa, o leitor pensa que os problemas de Simplício estão resolvidos. Que mal há em enxergar o bem? Só que nos esquecemos que o protagonista é duplamente míope. Moral e fisicamente, e a sua miopia moral começa a falar mais alto, já que ele enxerga apenas o bem após fixar a luneta por mais de três minutos, e acaba por fazer amizade com toda e qualquer pessoa de caráter duvidoso, jurando que todos estão repletos de lindos sentimentos em relação a ele.
Como a luneta anterior, essa também fez bem e mal. Simplício enxergava sim, mas não tinha o menor discernimento das coisas, e confiando nesses “amigos” gastou um terço de tudo o que possuía. Mas, aos poucos, ele começa a entender que essa luneta também causa muitos problemas, pois do que adianta ver apenas o bem e não ter percepção alguma? Após fixar sua “luneta do bem” em um defunto, vê que a morte é gloriosa, e tenta o suicídio, porém é salvo pelo seu amigo “armênio”, que dá uma última luneta, que parece ser a mais acertada de todas. A luneta do bom senso.
Com uma ótima crítica ao Segundo Império Brasileiro e à Sociedade Carioca da época, Joaquim Manuel de Macedo nos mostra que melhor do que ver apenas o bem ou o mal é sempre ter bom senso nas atitudes.
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OI, bom dia, primeiro gostaria de parabenizar o blog, vocês estão de parabéns mesmo.
E também, quero dizer que este livro é fantástico, li este artigo aqui no blog e comecei a lê-lo e estou achando fantástico… Mas uma vez, obrigado pelo bom blog e pelas excelêntes indicações…
abraços
Esse é o tipo de comentário que anima todos nós aqui no Meia. Muito obrigada, Elias =]
Carol, seu artigo foi tão legal que eu não resiste e acabei comprardo o livro ontém.Fui no sebo e achei uma edição bonita, de capa dura (do círculo do livro) por apenas 5 reais, sebo é uma maravilha né?
Parabéns o resumo de vcs está muito bom…!!!
Só que eu gostaria de saber se no livro existe apenas estes personagens (Armênio e Símplicio)
ou se tem mais e quais são???..
Pois tenho uma prova desse livro e naum tenho tempo para lê-lo…
Mas obrigada assim mesmo, já ajudou bastante.