Kabale und Liebe (Friedrich Schiller)

Publicado por Colaborador Meia Palavra em outubro - 6 - 2009

kabale-und-liebe-5Amor, preconceito, traição; abuso de poder. Kabale und Liebe (Intrigas e Amor, tradução livre), não se diferencia muito da grande maioria das tragédias escritas para os palcos. No entanto, a peça do escritor alemão Friedrich Schiller teve uma importância muito maior na sociedade do Século XVIII.

A trama foi uma das primeiras “bürgelisches Trauerspiel” (tragédia plebéia, tradução livre), abrindo o início de uma nova Era no Teatro, pois em um mundo onde cidadãos comuns eram representados para a Corte como criaturas ridículas e sem importância, surge a história de Ferdinand e sua Luise, o major filho do Presidente de Walter pela mocinha filha de um músico plebeu.

A peça, dividida em cinco atos, mostra a indignação do pai de Luise, que não aceita o sentimento da filha por não acreditar no amor do major. E as atitudes inescrupulosas do Presidente que planeja o casamento de seu filho com Lady Milford para afastá-lo de sua amada pelo simples fato de Luise não pertencer à Corte.

Os planos de obrigar Ferninand a casar-se com Lady Milford acaba por não sair como deveria e esse fracasso leva Wurm, o Secretário do Presidente, apaixonado por Luise, a tomar atitudes mais drásticas.

Com ordem da Presidência os pais de Luise são presos e a única que pode salvar a vida deles é a menina. Ela é obrigada a escrever uma carta para o Marechal de Kalb, declarando seu amor por ele e reclamando das constantes visitas de Ferdinand. Ao ler a carta que, “acidentalmente” cai do bolso do Marechal, Ferdinand enlouquece e sai atrás de Luise com intenção de matá-la.

O caráter moral e a melancolia são presente em todas as peças de Schiller, e a influência de Shakspeare é notável, principalmente em Kabale und Liebe.

Mas aí vem a pergunta: “E por que um segundo ‘Romeu e Julieta’ iniciou uma nova Era nos palcos?” Bem, eu respondo que o fato de os amantes, neste caso, pertenceram à diferentes classes sociais ajudou plebeus a unirem forças para criarem o teatro como ele é conhecido hoje. Porque poucas coisas chocam mais que a quebra de um tabu.

Kabale und Liebe, com toda a sua pouca originalidade e personagens mais do que ordinários, foi o drama que transformou Schiller em um dos nomes mais importantes do teatro europeu; e ainda sobrevive, sempre repaginado, sempre com novo fôlego, mas nunca abandonando a sua excência crítica, porque, pensando bem, mesmo com toda a nossa evolução e modernização, nós continuamos presos aos mesmo conceitos, às mesmas idéias ultrapassadas, os mesmos medos e às vezes até às mesmas atitudes daquele passado opressor. E nada melhor que a mesma velha “ladainha” para dar um empurrãozinho e tentar, como o autor desejou de seu público a vida toda, ser uma pessoa melhor.

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