Muitas pessoas não precisam ser católicas para admirarem anjos – as figuras assexuadas e com um par de asas que povoam as páginas do Antigo Testamento. Alma é uma estudante paulistana de história da arte fascinada por esses seres fantásticos desde sua infância. Durante um momento de puro devaneio (ou por intervenção do destino?) Alma dirige até o bairro de Paraísopolis (descrito como o inferno na terra, ironicamente) e seu carro enguiça para logo em seguida ela ser estuprada por diversos sujeitos (não descritos). Assim ela perde sua alma de anjo e seu espaço no paraíso. Alma se junta a Almut, sua amiga de infância, numa viagem até a Austrália (um sonho idealizado pelas duas desde jovens), onde, talvez, ela possa encontrar o paraíso que perdeu.
Arquivo de Autor
Paraíso Perdido (Cees Nooteboom)
Marte Ataca #4
Nossos parceiros do Coletivo Marte realizam nesse final de semana a 4ª edição da festa Marte Ataca! que reúne bandas, exposições e bazar.
A próxima MARTE Ataca! acontece dia 28 de agosto, a partir das 22h no Cidadão do Mundo, em São Caetano. (Endereço é Rua Rio Grande do Sul, 73). A entrada fica por R$ 5,00.
Os shows são das bandas Victtoria, 3onfall e The Salad Make.
Pra deixar a noite mais animada, a MARTE Ataca traz também os DJs Cesinha e nosso amigo Vinícius, do blog Os Três Macacos.
Liquidação (Imre Kertézs)
Antes de começar a análise de Liquidação, novela de Imre Kertézs, aconselharia a todos os leitores a lerem a biografia que o Luciano postou aqui no blog. A história abre com o personagem Amargo, editor, que contempla as pessoas mais miseráveis da janela de seu apartamento, enquanto remói se deve ou não levar adiante o último manuscristo que conseguiu salvar de seu amigo B., um sobrevivente de Auschwitz e que cometeu suicídio nove anos antes do ponto de partida desse relato.
Através da leitura do manuscrito Amargo reconstrói os momentos que são descritos na peça de B., assim como sua vida e o momento em que conheceu o amigo. Ou seja, ele nos impõe que primeiro devemos conhecer nossa própria para contar de outras pessoas.
O Sonho dos Heróis (Adolfo Bioy Casares)
“O destino é uma invenção útil dos homens”
Adolfo Bioy Casares é considerado um mestre da literatura argentina, quando o conheci, através de A Invenção de Morel, percebi uma narrativa elegante e instigante, afinal a todo o momento ele nos presenteia com sentenças que brecam nossa atenção no enredo para pensarmos até onde chegamos. O mesmo se repete em “O Sonho dos Heróis”, no qual somos levados até o carnaval de 1927, na Argentina, para tentar desvendar os mistérios que cercam nossas atitudes, nobres ou infantis. E onde o próprio narrador, de maneira arguta, levanta questionamentos diretamente ao leitor.
Emilio Gauna trabalha em uma oficina mecânica e todas as semanas se reúne com um grupo de amigos para beber. No entanto, nenhum deles almeja realizações maiores na vida profissional e pessoal. Dentre todos esses personagens destacamos o Doutor (Valerga) e Larsen, o melhor amigo do personagem principal.
10 Perguntas e Meia para João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Ribeiro é escritor e jornalista, autor de Viva o Povo Brasileiro, Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, entre outros. Ganhou diversos prêmios de literatura, incluindo o Prêmio Jabuti e o Prêmio Camões. Em 1993 foi eleito o sétimo acadêmico a ocupar a cadeira 34 da Academia Brasileira de Letras. Além da literatura, João colabora com diversos jornais nacionais e internacionais.
Papéis Inesperados (Julio Cortázar)
Julio Cortázar há tempos figura na minha mente como um dos meus escritores favoritos. E como eu sempre gosto de salientar, quando resenho, é que escrever sobre algo que mexe com seu gosto pessoal, que está em um pedestal e na sua mente é quase sem mácula, se torna uma tarefa árdua, afinal como passar para as pessoas o que aquele livro, autor, personagem tem de tão especial.
Essa edição de textos póstumos, guardados num móvel na casa do autor em Paris, contém todos os apêndices, as críticas, diários e auto-entrevistas. Em Papéis Inesperados somos convidados a conhecer a figura do escritor argentino já tão discutida, mas de forma íntima, mostrando o seu lado de admirador do mundo, da política e das artes.
10 Perguntas e Meia para Tony Bellotto
Tony Bellotto é músico e compositor da banda Titãs, em 1995 lançou seu primeiro romance policial Bellini e a Esfinge, adaptado para o cinema em 2001 com Fábio Assunção e Mallu Mader. O segundo livro Bellini e o Demônio entrará em cartaz esse ano com Fábio Assunção repetindo o papel do detetive. No seu currículo constam ainda: BR163: Duas histórias na estrada (2001), O livro do guitarrista (2001), Os insones (2007) e o ainda inédito No Buraco (2010) que será lançado pela Cia. das Letras. Tony colabora como colunista do Blog da Cia. das Letras.
Desonra (J.M. Coetzee)
J.M. Coetzee é sul-africano, doutor em lingüística, escreveu diversos livros e em 2003 recebeu o Nobel de literatura. Dotado de um estilo de escrita que intercala um estilo impessoal, poético e visceral. Sua percepção sobre a psique humana e as diferenças entre status, dependendo do ambiente onde se encontra seus personagens, é um forte traço de seu livro Desonra.
David Lurie é um professor de literatura que não sabe como conciliar sua formação humanista, seu desejo amoroso e as normas politicamente corretas da universidade onde dá aula. Mesmo sabendo do perigo, ele tem um caso com uma aluna. Acusado de abuso, é expulso da universidade e viaja para passar uns dias na propriedade rural da filha, Lucy.
Meu Nome Não É Johnny (Guilherme Fiuza)
A vida real de João Guilherme Estrella, nascido em bom berço do Leblon e convertido em personagem graúdo da vida bandida carioca, é a história de MEU NOME NÃO É JOHNNY, de Guilherme Fiuza (adaptado para os cinemais brasileiros em 2008 com Selton Melo no papel principal). Filho adorado pelos pais e jovem querido pelos amigos, João entrou pelos anos 80 buscando liberdade a qualquer preço, e desembarcou nos 90 como barão da cocaína pura na Zona Sul do Rio.
João Estrella era um típico jovem de classe média que viveu intensamente sua vida. Inteligente e carismático, ele tinha tudo, menos limites. Nessa pequena sinopse fica claro que a história de João Estrella é de mais um garoto mimado da Zona Sul do Rio de Janeiro com pais bancando suas loucuras. Longe disso. Na narrativa de Guilherme Fiuza vemos que apesar de ser uma pessoa sem limites, João Estrella está longe de ser apenas mais um viciado-mimado.
O Professor de Botânica (Samir Machado de Machado)
Eduardo Rotgeller está chegando ao fim de uma longa e insípida carreira acadêmica. Seus alunos o detestam e seus colegas o ignoram. Agarrando-se a uma inesperada possibilidade de sucesso, ele está disposto a suportar tudo, da convivência com um rival ao desinteresse de seu bolsista, para deixar uma marca no mundo.
Rotgeller é um acadêmico que tem apenas sua profissão e suas flores para partilhar na vida. Essa novela soa como um ensaio sobre a velhice imediata, o medo de chegarmos a lugar nenhum com conquistas de outrora. Uma vida inteira de trabalhos e estudos para, em dado momento, perceber que a glória e seu legado ainda não estão marcados nem na história da universidade e nem em sua história pessoal.




















