Lendo e ouvindo – Laranja Mecânica e A-Lex

Publicado por Colaborador Meia Palavra em janeiro - 28 - 2009

A-LexCriar um álbum musical baseado em um livro não é um feito que possamos chamar de novidade. Algumas bandas já tiveram essa iniciativa de musicar os livros preferidos, mas a verdade é que poucas conseguiram passar algo parecido com as obras que homenageavam. Um grande exemplo de sucesso é o álbum Nightfall in Middlhe-Eart do Blind Guardian, que consegue transmitir para o ouvinte toda a atmosfera tolkieniana em suas faixas. Dia 23 de janeiro, mais um álbum baseado em uma obra literária foi apresentado ao mundo.

A-Lex é o mais novo CD da banda de “trash”1 Sepultura e, para a felicidade dos fãs, ele é inteiramente baseado no livro Laranja Mecânica do escritor Anthony Burgess. São ao todo 18 faixas que tem a intenção de “cantar” um pouco da história do livro ou abordar o assunto mais recorrente da obra: a violência. Eu considero esse CD em questão um marco na carreira da banda, mesmo não sendo o primeiro álbum baseado em um clássico literário. O Sepultura já havia experimentado essa temática literária em Dante XXI, quando usou o livro A Divina Comédia como base para seu trabalho. Existem algumas controvérsias que vão marcar A-Lex na memória musical de alguns críticos do gênero, talvez elas passem despercebidas pelos simples ouvintes, mas vou salientá-las nos próximos parágrafos.

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  1. Eu ainda considero o Sepultura como uma banda de trash []

Hey, Drugue!

Publicado por Colaborador Meia Palavra em maio - 1 - 2008

“Laranja Mecânica” (A Clockwork Orange) é um dos raros casos onde o filme suplanta o livro que lhe originou. A adaptação do diretor Stanley Kubrick para o cinema, datada de 1971, não preza por ser das mais fiéis ao texto do autor, em contrapartida traz em si toda a essência de caos e violência urbana contida no romance. Na época das filmagens, Kubrick chegou a suprimir o último capítulo da trama, o que causou certo descontentamento dos leitores mais puritanos, mas isso longe de tornar a conclusão mais otimista, reafirma a condição de impossibilidade para uma futura convivência social de Alex.

A obra máxima de Anthony Burgess é comumente colocada lado a lado com “Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell, formando uma trilogia que vislumbra o futuro da sociedade com um olhar pessimista, onde a violência e os governos totalitários se sobressaem. Os enredos foram inspirados em alguns casos pela situação política vivida na época pelos autores, em outros por reflexões quanto ao avanço científico sem ponderação, mas das três obras a que mais se aproxima da realidade que vivemos hoje continua sendo a criada por Burgess.

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