Conversando com a Kika algum tempo atrás, falávamos sobre nossas respectivas ‘obsessões históricas’: ela com sua paixão pela Revolução Francesa, eu com minha fixação pela URSS e- especialmente- seu fim. Foi então que tive a idéia para este post- ou melhor, essa série de posts- sobre o que se produziu, não apenas literária, mas artísticamente, na Rússia e nos antigos países que estavam por trás da ‘Cortina de Ferro’ desde que ela começou a se abrir.
Na década de 80 a antiga União Soviética começou a passar por um processo de abertura da economia e de democratização. Isso obviamente teve um impacto enorme sobre todo o modo de vida do povo soviético: os valores se alteraram, muito cultura- de qualidade variável- da Europa e dos EUA passou a entrar no gigante do leste, e todos tiveram de se adaptar a um novo modus vivendi.


Como acontece todo ano, alguns filmes começaram a aparecer como favoritos para o Oscar e as editoras brasileiras já aproveitaram para lançar traduções das obras nas quais esses filmes foram adaptados. Quem sai ganhando é o leitor, que algumas vezes nem sabe que o que acabou de ver no cinema na verdade é uma história que já foi contada nos livros.
Há alguns meses eu li o ‘Soldados de Salamina’, de Javier Cercas. Eu já havia lido um livro dele, ‘O Motivo’, e o ‘Soldados’ me pareceu imensamente superior. Não só mais bem construído e escrito, mas com uma história um tanto quanto mais interessante: ele contava sobre a história de Rafael Sanchas Maza, poeta e idéologo da falange (o partido fascista espanhol na época da Guerra Civil, que venceu a Guerra e colocou Franco no poder)- de como foi fuzilado e sobreviveu- e sobre suas pesquisas e angústias ao escrever o livro. Não se tratava de nada bonito ou tocante, mas de um livro inteligente e interessante.






















