Muitas pessoas não precisam ser católicas para admirarem anjos – as figuras assexuadas e com um par de asas que povoam as páginas do Antigo Testamento. Alma é uma estudante paulistana de história da arte fascinada por esses seres fantásticos desde sua infância. Durante um momento de puro devaneio (ou por intervenção do destino?) Alma dirige até o bairro de Paraísopolis (descrito como o inferno na terra, ironicamente) e seu carro enguiça para logo em seguida ela ser estuprada por diversos sujeitos (não descritos). Assim ela perde sua alma de anjo e seu espaço no paraíso. Alma se junta a Almut, sua amiga de infância, numa viagem até a Austrália (um sonho idealizado pelas duas desde jovens), onde, talvez, ela possa encontrar o paraíso que perdeu.
Paraíso Perdido (Cees Nooteboom)
Os Aparados – Letícia Wierzchowski
Em um mundo pré-apocalíptico, um avô e uma neta tentam sobreviver. Aos temporais, ao caos e acima de tudo a si próprios. Marcus tem 63 anos e Débora, 17. Ela está grávida de sete meses, ele enxerga naquela barriga uma esperança para a sua vida.
Com a ajuda dos conhecimentos adquiridos na época de professor na faculdade, Marcus constrói uma casa nos Aparados da Serra Gaúcha, um refúgio que seria o seu mundo particular, onde poderia se abrigar com a neta de todo o caos e quem sabe, voltar a ser feliz. Leia a continuao desse artigo »
O Bobo da Rainha (Philippa Gregory)
Que a Inglaterra virou de ponta cabeça durante o reinado de Henrique VIII, todos sabemos, mas a história do que aconteceu depois do falecimento do monarca é pouco conhecida. Sabe-se apenas que Elizabeth foi rainha e fez o país prosperar sob seu governo.
Entre Henrique VIII e Elizabeth, nada mais nada menos do que três monarcas reinaram a Inglaterra: Eduardo VI, Jane e Mary. Eduardo é o filho de Henrique com sua terceira esposa: Jane Seymour ; Jane é colocada no poder através de artimanhas políticas e Mary, filha de Henrique com sua primeira esposa, Catarina de Aragão, é coroada rainha pelo povo que a admira.
Luka e o Fogo da Vida, de Salman Rushdie
Dezoito anos depois de Haroun viajar até a segunda lua (invisível) da Terra, onde havia um Mar de Histórias que terminava no Lago da Sabedoria, de onde canos (também invisíveis) levavam a água mágica para os contadores de histórias, surge uma nova aventura. Mas dessa vez não é Haroun quem protagoniza a nova viagem. Nessa história, ele já é grande demais para isso, e o heroi da vez é seu irmão mais novo, Luka. Vemos o já então conhecido Xá do Blá-Blá-Blá, o contador de histórias Rashid Kahlifa, pai dos garotos, mais uma vez em risco.
Luka e o Fogo da Vida é a continuação de Haroun e o Mar de Histórias, de Salman Rushdie, dedicado ao seu filho caçula – assim como o primeiro era ao mais velho. Lançado mundialmente no Brasil pela Companhia das Letras, a fantasia que nos é apresentada agora difere da que vimos no primeiro livro infantojuvenil do autor, embora a premissa seja a mesma. Não há um retorno ao Mar de Histórias, mas sim uma viagem fantástica ao Mundo Mágico criado por Rashid, que está mais ameaçado do que se imagina. Leia a continuao desse artigo »
A vitória de Orwell (Christopher Hitchens)
Sempre que penso em escritores cuja biografia renderiam por si só um romance, lembro de uma frase de Oscar Wilde em O retrato de Dorian Gray, que dizia “Um grande poeta é a menos poética de todas as criaturas. Parece que escreve a poesia que não consegue viver, enquanto poetas inferiores vivem a poesia que não conseguem escrever“. Óbvio, lembro da frase porque Wilde mesmo provou que o raciocínio não estava sempre certo – e a realidade é que eu me surpreendo muito com a quantidade de vezes que algum grande escritor parece contrariá-lo.
Veja só o caso de George Orwell. Tomando apenas os trabalhos mais conhecidos, como 1984 e Revolução dos Bichos, é indiscutível a importância desse escritor para a literatura do século XX. E se ao bater os olhos nas fotos de Eric Arthur Blair (nome de batismo do autor) você pensa que era só um tiozinho que escrevia umas boas histórias entre uma xícara de chá e outra, temos A vitória de Orwell (de Christopher Hitchens) para mostrar o contrário.
O Guia do Mochileiro das Galáxias – Douglas Adams
Hoje começo a postar uma sequência de resenhas sobre uma das séries mais divertidas e originais que eu já li. Estou falando do Guia do Mochileiro das Galáxias, do autor Douglas Adams. A obra completa é definida como uma “trilogia de quatro livros mais um”, isso porque o último livro pode ser lido como uma história independente dos outros quatro e foi escrito anos depois.
A narrativa apresenta como característica básica a sátira e o bom humor. Douglas Adams descreve o comportamento humano de forma irônica e engraçada, que muitas vezes pode ser comparada a realidades do nosso cotidiano. Dessa maneira, o leitor consegue se identificar com as situações propostas no livro, mesmo que a obra seja ficção científica pura e inclua casos extremamente diferentes e irreais, sem falar em diversas criaturas extraterrestres.
Fetiche (Carina Luft)
Podolatria. Dentre tantas as taras que o homem tem, foi essa a escolhida por Carina Luft para compor seu romance policial, Fetiche. Assim como Ana Cristina Klein, Carina integra a oficina literária de Charles Kiefer, em Porto Alegre, e isso já é um ponto que causa certa curiosidade quanto a seu livro. Mas o enredo também chama a atenção: uma série de assassinatos em uma pequena cidade gaúcha onde as vítimas tem seus pés cortados. Um thriller, aquela velha caçada ao assassino, onde uma dupla de investigadores trabalha contra o tempo para solucionar o caso. São várias as expectativas quanto ao primeiro livro de Carina, mas nenhuma delas foi superada.
O Único Final Feliz para uma História de Amor é um Acidente (J. P. Cuenca)
Na rotina frenética de Tokyo, um submarino percorre os subterrâneos da cidade em busca de imagens de um jovem executivo. Ele está ao lado de uma loira alta de olhos azuis, facilmente reconhecível por ser ocidental. O submarino filma, grava e envia imagens para a Sala do Periscópio, onde um velho poeta vê as relações de seu filho, acompanhado sempre de sua boneca de última geração nomeada Yoshiko. O jovem, chamado Shunsuke, dispensa novas mulheres e toda a sua vida para estar perto de Iulana Romiszowska, a polonesa-romena que trabalha como garçonete em um “inferninho” da capital japonesa.
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O Cão dos Baskervilles – Sir Arthur Conan Doyle
Certamente, já aconteceu com você. E não só com você, mas com a maioria das pessoas. Uma pequena ação não pensada acaba desencadeando uma grande história cheia de gente envolvida e totalmente sem controle. De cara, “O Cão dos Baskerville”, de Sir Arthur Conan Doyle, lembra muitas outras narrativas em que a trama é movida exatamente dessa forma.
Na história, existe uma espécie de maldição, que nos é apresentada na forma de manuscrito pelo médico Dr. James Mortimer, quando este resolve procurar os serviços de Sherlock Holmes para desvendar as mortes que acontecem na família dos Baskerville, em especial a de Sir. Charles Baskerville.
Liquidação (Imre Kertézs)
Antes de começar a análise de Liquidação, novela de Imre Kertézs, aconselharia a todos os leitores a lerem a biografia que o Luciano postou aqui no blog. A história abre com o personagem Amargo, editor, que contempla as pessoas mais miseráveis da janela de seu apartamento, enquanto remói se deve ou não levar adiante o último manuscristo que conseguiu salvar de seu amigo B., um sobrevivente de Auschwitz e que cometeu suicídio nove anos antes do ponto de partida desse relato.
Através da leitura do manuscrito Amargo reconstrói os momentos que são descritos na peça de B., assim como sua vida e o momento em que conheceu o amigo. Ou seja, ele nos impõe que primeiro devemos conhecer nossa própria para contar de outras pessoas.



















